chita

A chita fez parte do vestuário e da decoração brasileira a partir do século XIX – tal qual o azulejo ou a renda (citar aqui os dois posts), é uma arte de origem importada que criou raízes nacionais profundas.

Vale lembrar que interpretações variadas da moda sobre o tema chita, como reproduzir o padrões de flores coloridas em outras superfícies têxteis, não caracteriza a chita. Para ser chita, tem que ser de morim – trama simples e aberta de algodão.

A chita estampa inúmeras nacionalidades. Na Índia conhecida como chint (que significa pinta ou mancha), e chintz, na Inglaterra. Na França, indienne ou toile peinte (tela pintada). O padrão de flores multicoloridas estampadas em tecido de algodão de trama simplória, o morim, já percorreu o mundo e ganhou suas características em cada país.
A chita demonstrava, no início da Idade Moderna, certo avanço tecnológico dos indianos, pois os europeus, nos séculos XV e XVI, quando a Europa trazia tecidos do Oriente, não estampavam os tecidos – apenas os tingiam.
O tecido, que era trazido “das Índias” para a Europa, primeiro por portugueses, depois por ingleses, e se espalhou ao redor do mundo por conta da Inglaterra. A Índia foi tomada, no século XVIII, por motivos “indianos” meio caricaturais, usados principalmente na decoração. Como as novas e eficientes fábricas têxteis inglesas abasteciam o mundo todo, logo o tecido se espalhou.
A Inglaterra abastecia diversos países, inclusive a Índia, com motivos “indianos” caricaturais.
No Brasil, a chita foi trazida principalmente pelos portugueses, que a usavam para diversos fins. Em pouco tempo os motivos florais e vivazes foram se conformando ao longo do século XIX. No século XX foram relegadas ao desuso em vestuário, criando um significado de tecido popular. Nos anos 1990, com o reavivamento do orgulho nacional, bem como de um processo de valorização da moda nacional, a chita ganhou espaço em decoração, vestuário e acessórios.

 

Na verdade, por aqui, a mistura de padrões indianos, ingleses, portugueses… deu nos florais típicos brasileiros. Tal qual o nosso povo, a chita brasileira é bem mestiça.